Priscila Arantes Enfermeira e Pedicure Terapêutica

Pedicure terapêutica em Coimbra

Unha encravada em Coimbra

Onicocriptose

Uma unha encravada não se resolve a cortar mais fundo. Na consulta retira-se o fragmento que está a magoar, trata-se a inflamação e, quando a forma da unha é a causa, corrige-se com órtese para não voltar.

Enfermeira · Ordem dos Enfermeiros n.º 117508

O que é

A unha encravada (onicocriptose) acontece quando o bordo da unha, quase sempre do dedo grande do pé, cresce contra a pele que a rodeia e a perfura. A pele reage como a qualquer corpo estranho: inflama, dói e, se nada for feito, infeta.

Há três fases. No início há apenas dor à pressão e alguma vermelhidão. Depois a zona incha, fica quente e pode sair pus. Numa fase mais avançada forma-se um tecido vermelho e sangrante à volta do bordo — o chamado tecido de granulação, ou «carne esponjosa» — sinal de que o problema já é crónico.

Sinais e sintomas

  • Dor ao calçar, ao andar ou quando a roupa da cama toca no dedo.
  • Vermelhidão e inchaço num dos lados da unha, ou nos dois.
  • Pele quente, brilhante e sensível ao toque.
  • Saída de pus ou sangue junto ao bordo da unha.
  • Tecido avermelhado que cresce por cima da unha e sangra com facilidade.

Causas mais frequentes

  • Corte errado: unhas cortadas muito curtas ou arredondadas nos cantos deixam uma ponta que entra na pele quando volta a crescer.
  • Calçado apertado ou de biqueira estreita, que empurra a pele contra a unha.
  • Forma da unha: unhas muito curvas («em telha») encravam com mais facilidade, e a tendência é muitas vezes familiar.
  • Traumatismos repetidos, como no futebol ou na corrida, ou uma pancada no dedo.
  • Suor excessivo, que amolece a pele e facilita a penetração da unha.
  • Alterações da unha por fungos ou pela idade, que a tornam mais espessa e irregular.

Como se trata

Na grande maioria dos casos a unha encravada trata-se de forma conservadora, sem cirurgia e sem anestesia. O objetivo é retirar o que está a magoar — a espícula, o pequeno fragmento de unha cravado na pele — e deixar o bordo liso, para que a pele desinche e cicatrize.

Quando a unha encrava vezes seguidas por ser demasiado curva, a solução é a órtese ungueal: uma pequena mola ou banda colada sobre a unha que, ao longo de semanas a meses, a vai levantando e endireitando à medida que cresce. É indolor, não impede de andar nem de calçar, e faz-se acompanhar de revisões periódicas para ajustar a tensão.

Sendo enfermeira, a Priscila trata também a inflamação e a ferida associada. Nos casos que não respondem ao tratamento conservador — infeções extensas, recidivas persistentes — encaminha para avaliação médica, onde pode estar indicada uma correção cirúrgica parcial da unha (matricectomia).

O que acontece na consulta

  1. 1Avaliação do dedo, da forma da unha, do calçado e da forma como corta as unhas.
  2. 2Remoção cuidadosa da espícula e limpeza do sulco da unha.
  3. 3Tratamento da inflamação e, se houver ferida, penso adequado.
  4. 4Colocação de órtese ungueal quando a curvatura da unha é a causa, com manutenções a cada 4 a 8 semanas.
  5. 5Instruções de corte e de calçado para evitar que volte.

O que pode fazer em casa

  • Corte as unhas a direito, sem arredondar os cantos, e não demasiado curtas: o bordo deve ultrapassar ligeiramente a pele.
  • Não tente «cavar» o canto da unha com tesouras ou alicates: agrava a inflamação e favorece a infeção.
  • Escalda-pés com água morna e sal, 10 a 15 minutos, 2 a 3 vezes por dia, aliviam a dor e ajudam a limpar.
  • Use calçado largo na zona dos dedos e meias de algodão; evite biqueiras finas e saltos altos enquanto a unha está inflamada.
  • Mantenha os pés secos e limpos e troque as meias todos os dias.

Quando não deve esperar

Marque consulta sem demora — ou procure o médico — se notar algum destes sinais:

  • Pus, cheiro desagradável, vermelhidão a alastrar pelo dedo ou pelo pé, ou febre.
  • Tem diabetes, má circulação ou sensibilidade diminuída nos pés: não trate em casa; marque consulta aos primeiros sinais.
  • A dor não melhora ao fim de 2 a 3 dias de cuidados em casa, ou piora.
  • A unha encrava repetidamente apesar de a cortar corretamente.

Perguntas frequentes

A unha encravada tem de ser operada?+

Na maioria dos casos, não. A remoção da espícula e a órtese ungueal resolvem a maior parte das situações sem cirurgia. A cirurgia — retirar uma parte da unha e da sua raiz — fica reservada para casos recorrentes ou muito avançados e é feita por médico, para quem encaminhamos quando é o caso.

O tratamento dói?+

A remoção da espícula é rápida e, com a técnica certa, muito bem tolerada — o alívio sente-se logo, porque deixa de haver nada a espetar na pele. A colocação da órtese é indolor.

Quanto tempo demora a órtese a fazer efeito?+

O alívio da pressão é quase imediato. A correção da forma da unha acompanha o crescimento, que no pé é lento: em regra, alguns meses, com revisões periódicas para ajustar a órtese.

Posso tratar uma unha encravada se tenho diabetes?+

Deve, e quanto mais cedo melhor. Na diabetes, uma pequena inflamação junto à unha pode evoluir para uma infeção séria. Diga-nos ao marcar que tem diabetes, para o atendimento ser preparado em conformidade.

Esta informação é geral e serve para ajudar a perceber o problema. Não substitui a avaliação individual nem o acompanhamento médico. Em caso de dúvida, marque consulta. Conteúdo revisto por Priscila Arantes, enfermeira registada na Ordem dos Enfermeiros (n.º 117508).

Outros problemas que se tratam

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