Priscila Arantes Enfermeira e Pedicure Terapêutica

Pedicure terapêutica em Coimbra

Tratamento de feridas e pensos nos pés em Coimbra

Feridas do pé e cuidados de penso

Uma ferida no pé tem contra si o peso do corpo, o calçado e, muitas vezes, uma circulação que já não é a melhor. Cicatrizar bem depende de limpar, proteger e aliviar a pressão — e de ver a ferida com a regularidade certa.

Enfermeira · Ordem dos Enfermeiros n.º 117508

O que é

Os pés são uma das zonas onde as feridas cicatrizam com mais dificuldade: estão longe do coração, suportam o peso do corpo a cada passo, vivem dentro de calçado e, em muitas pessoas, contam com uma circulação ou uma sensibilidade diminuídas. Uma bolha, uma fissura, um calo que abriu ou uma unha encravada infetada podem transformar-se numa ferida que não fecha.

As feridas mais frequentes nos pés são as traumáticas (cortes, bolhas, escoriações), as que resultam de calos, gretas e unhas encravadas, o pós-operatório de cirurgias da unha e do pé, as úlceras de pressão nos calcanhares em pessoas acamadas e as úlceras do pé diabético ou de origem venosa ou arterial. Cada uma pede um tratamento diferente, mas todas cicatrizam melhor com o mesmo princípio: ferida limpa, húmida na medida certa, protegida e sem pressão em cima.

Sinais e sintomas

  • Ferida que não fecha ao fim de duas semanas, ou que fecha e volta a abrir.
  • Bolha, corte ou escoriação num pé com diabetes ou má circulação.
  • Penso pós-operatório que precisa de ser mudado depois de uma cirurgia de unha ou de pé.
  • Zona vermelha, quente e inchada, com pus, cheiro desagradável ou dor a aumentar.
  • Tecido amarelado, esbranquiçado ou escuro no fundo da ferida.
  • Ferida no calcanhar de quem passa muito tempo deitado ou sentado.

Causas mais frequentes

  • Pressão e atrito do calçado; bolhas de caminhadas ou desporto.
  • Calos, gretas e unhas encravadas que evoluem para ferida ou infeção.
  • Cirurgias da unha (matricectomia) ou do pé, com penso a manter.
  • Diabetes, doença arterial ou venosa e neuropatia, que impedem a cicatrização.
  • Imobilidade (úlceras de pressão), idade e pele frágil.
  • Cuidados de penso inadequados: ferida seca em demasia, produtos irritantes, penso mal ajustado.

Como se trata

Aqui a enfermagem e a pedicure terapêutica trabalham juntas. Enquanto enfermeira, a Priscila avalia a ferida — tamanho, profundidade, tecido no fundo, sinais de infeção, circulação à volta —, limpa-a, remove o tecido morto quando indicado e escolhe o penso mais adequado à fase de cicatrização: há pensos que mantêm a humidade, outros que absorvem exsudado, outros com prata para feridas infetadas. O penso certo muda ao longo do tratamento, e o intervalo entre mudanças também.

Como pedicure terapêutica, trata a causa mecânica: desbasta a calosidade à volta da ferida (que a mantém aberta), alivia a pressão com descargas e ajusta o calçado. Quando ajuda a cicatrizar, junta-se a laserterapia, cuja luz tem efeito anti-inflamatório e estimula a formação de tecido novo e a circulação local.

Feridas com infeção, exposição de osso ou tendão, sinais de má circulação ou que não evoluem são articuladas com o médico assistente ou orientadas para a urgência: há situações que precisam de antibiótico, de exames ou de cirurgia, e o tempo conta. O tratamento de feridas e a mudança de pensos podem ser feitos na clínica ou ao domicílio, para quem não se pode deslocar.

O que acontece na consulta

  1. 1Avaliação da ferida, da pele à volta, da circulação e da causa.
  2. 2Limpeza e, quando indicado, remoção do tecido não viável (desbridamento).
  3. 3Escolha e aplicação do penso adequado ao tipo e à fase da ferida.
  4. 4Alívio da pressão: desbaste da calosidade, descargas, conselhos de calçado.
  5. 5Laserterapia como complemento à cicatrização, quando indicada.
  6. 6Mudanças de penso programadas, na clínica ou ao domicílio, e articulação com o médico quando necessário.

O que pode fazer em casa

  • Mantenha o penso limpo e seco e respeite o intervalo de mudança combinado; não o levante «para ver».
  • Não aplique álcool, água oxigenada, iodo ou pomadas por sua conta: agridem o tecido novo.
  • Alivie o peso sobre a ferida: calçado indicado na consulta e descanso com a perna elevada quando possível.
  • Vigie diariamente a pele à volta: vermelhidão, calor, inchaço ou cheiro são sinais para contactar.
  • Alimente-se bem (proteínas, água) e, se tem diabetes, mantenha a glicemia controlada: a ferida cicatriza com o que o corpo lhe dá.
  • Não fume: o tabaco reduz o oxigénio que chega à ferida e atrasa a cicatrização.

Quando não deve esperar

Marque consulta sem demora — ou procure o médico — se notar algum destes sinais:

  • Vermelhidão a alastrar, calor, inchaço, pus, cheiro intenso ou febre: pode ser infeção e precisa de avaliação médica no próprio dia.
  • Ferida que deixa ver osso, tendão ou tecido negro.
  • Pé frio, pálido ou azulado, ou dor forte em repouso.
  • Ferida que não mostra melhoria ao fim de 2 a 4 semanas de tratamento adequado.

Perguntas frequentes

Fazem pensos ao domicílio?+

Sim, mediante disponibilidade e marcação prévia por WhatsApp. É indicado para quem não se pode deslocar: pós-operatório, mobilidade reduzida, pessoas acamadas.

Que tipo de feridas tratam?+

Feridas dos pés: pós-operatório de unha e de pé, bolhas, cortes, calos e gretas que abriram, unhas encravadas infetadas, úlceras de pressão no calcanhar e úlceras de pé diabético ou vasculares, em articulação com o médico assistente. Feridas com infeção grave ou que expõem osso são orientadas para o hospital.

Preciso de receita ou de encaminhamento?+

Não para o tratamento de enfermagem e a mudança de penso. Se a ferida precisar de antibiótico ou de exames, orientamos para o médico. Se já está a ser seguido, traga a informação da consulta: ajuda a escolher o penso e a coordenar.

De quanto em quanto tempo se muda o penso?+

Depende do tipo de penso e da ferida: pode ser diário numa ferida com muito exsudado, ou a cada 3 a 7 dias com pensos modernos que mantêm a humidade. O intervalo define-se na consulta e ajusta-se à evolução.

Esta informação é geral e serve para ajudar a perceber o problema. Não substitui a avaliação individual nem o acompanhamento médico. Em caso de dúvida, marque consulta. Conteúdo revisto por Priscila Arantes, enfermeira registada na Ordem dos Enfermeiros (n.º 117508).

Outros problemas que se tratam

Calos e calosidades · Fungos nas unhas · Verruga plantar · Unhas espessas ou deformadas