Priscila Arantes Enfermeira e Pedicure Terapêutica

Pedicure terapêutica em Coimbra

Pé diabético e pé de risco em Coimbra

Pé diabético e pé de risco

Na diabetes, e noutras situações que afetam a circulação ou a sensibilidade, os pés precisam de vigilância mesmo sem queixas — porque o problema é, muitas vezes, deixar de sentir. A consulta serve para ver o que não se sente e para tratar em segurança o que em casa seria um risco.

Enfermeira · Ordem dos Enfermeiros n.º 117508

O que é

Chama-se pé de risco ao pé que, por causa de uma doença, tem maior probabilidade de desenvolver feridas, infeções e complicações. O exemplo mais conhecido é o pé diabético: a diabetes, ao longo dos anos, pode lesar os nervos dos pés (neuropatia) e as artérias das pernas (doença arterial periférica), e enfraquecer a resposta às infeções.

Com a neuropatia perde-se a sensibilidade protetora: um sapato a apertar, uma pedra, uma queimadura ou um calo a ferir deixam de doer, e a lesão só se descobre tarde. Com a má circulação, as feridas cicatrizam mal. Juntas, explicam por que razão uma pequena ferida no pé de uma pessoa com diabetes pode evoluir para uma úlcera e, nos casos graves, para uma amputação — e por que razão a maioria destas situações se pode evitar com vigilância e cuidados regulares.

Também têm pés de risco pessoas com doença arterial periférica sem diabetes, insuficiência renal, artrite reumatoide, doenças neurológicas, idade avançada com dificuldade em ver ou em chegar aos pés, e quem já teve uma úlcera ou amputação.

Sinais e sintomas

  • Formigueiro, dormência, sensação de «pés de algodão» ou de picadas, sobretudo à noite.
  • Perda da sensação de dor, de temperatura ou de toque nos pés.
  • Pele seca, fina e brilhante, sem pelos, ou fria; unhas espessas.
  • Dor nas pernas ao andar que alivia ao parar (claudicação), ou dor nos pés em repouso.
  • Calos, bolhas ou pequenas feridas que não doem e que descobre por acaso.
  • Deformidades do pé (dedos em garra, saliências ósseas) e vermelhidão em zonas de pressão.

Causas mais frequentes

  • Diabetes com controlo insuficiente ou com muitos anos de evolução: neuropatia e má circulação.
  • Tabaco, hipertensão e colesterol elevado, que agravam a doença arterial.
  • Calçado inadequado sobre um pé que já não sente.
  • Calosidades e unhas mal tratadas, que ferem a pele por baixo.
  • Cortes, queimaduras (sacos de água quente, aquecedores) e andar descalço.
  • Dificuldade em ver ou em alcançar os pés para os inspecionar.

Como se trata

A consulta de pé diabético começa por uma avaliação do risco: exame da sensibilidade com monofilamento e diapasão, palpação dos pulsos e observação da circulação, da pele, das unhas, das deformidades e do calçado. Daqui resulta uma classificação do risco que define de quanto em quanto tempo os pés devem ser vistos — de uma vez por ano, num pé sem alterações, a cada 1 a 3 meses num pé de alto risco — em linha com as orientações da Direção-Geral da Saúde e do grupo internacional do pé diabético (IWGDF).

Depois trata-se o que precisa: corte das unhas em segurança, desbaste de calosidades (que num pé insensível são frequentemente a origem das úlceras), hidratação, tratamento de pequenas lesões e proteção das zonas de pressão. Tudo com técnica e material adequados a um pé que não pode ser ferido.

A parte mais importante é o ensino: aprender a inspecionar os pés todos os dias, escolher calçado e meias, saber o que nunca fazer e reconhecer os sinais de alarme. Este acompanhamento complementa — não substitui — o seguimento pelo médico de família, endocrinologista ou consulta hospitalar de pé diabético, com quem se articula sempre que há uma ferida ou sinais de infeção.

O que acontece na consulta

  1. 1Avaliação do risco: sensibilidade (monofilamento), circulação (pulsos), pele, unhas, deformidades e calçado.
  2. 2Corte técnico das unhas e desbaste de calosidades em segurança.
  3. 3Tratamento de pequenas lesões e proteção das zonas de pressão; penso quando é preciso.
  4. 4Ensino dos cuidados diários e do que evitar; conselhos de calçado e meias.
  5. 5Plano de vigilância conforme o risco (anual a mensal) e articulação com o médico assistente quando necessário.

O que pode fazer em casa

  • Veja os pés todos os dias — planta, dedos e entre os dedos — à procura de feridas, bolhas, vermelhidão ou mudanças de cor; use um espelho ou peça ajuda se não conseguir.
  • Lave com água morna (teste a temperatura com o cotovelo ou um termómetro) e seque bem, sobretudo entre os dedos; hidrate, mas não entre os dedos.
  • Nunca ande descalço, nem em casa; use sempre meias com o calçado e verifique o interior dos sapatos antes de os calçar.
  • Não use sacos de água quente, aquecedores ou cobertores elétricos nos pés.
  • Não corte calos nem use calicidas; corte as unhas a direito ou deixe o corte para a consulta.
  • Calçado fechado, largo, macio e sem costuras interiores; compre sapatos ao fim do dia e estreie-os por pouco tempo de cada vez.
  • Controlo da glicemia, da tensão e do colesterol, e não fumar: são os cuidados que mais protegem os pés.

Quando não deve esperar

Marque consulta sem demora — ou procure o médico — se notar algum destes sinais:

  • Qualquer ferida, bolha ou fissura no pé — mesmo sem dor — que não fecha em poucos dias.
  • Vermelhidão, calor, inchaço, pus ou cheiro desagradável; pele escura ou negra em qualquer zona do pé.
  • Dor nova num pé habitualmente insensível, ou um pé que fica frio, pálido ou azulado.
  • Febre ou mal-estar associados a uma lesão no pé. Nestes casos, procure o médico ou a urgência no próprio dia.

Perguntas frequentes

Não tenho queixas. Preciso mesmo de consulta?+

Sim. O perigo do pé diabético é precisamente não doer. A avaliação anual do risco é recomendada a todas as pessoas com diabetes, e é ela que diz se basta uma vez por ano ou se os pés precisam de ser vistos com mais frequência.

De quanto em quanto tempo devo vir?+

Depende do risco encontrado na avaliação: uma vez por ano se não há perda de sensibilidade nem alterações da circulação; a cada 3 a 6 meses se há neuropatia; a cada 1 a 3 meses se há neuropatia com deformidades, má circulação ou história de úlcera.

Posso fazer uma pedicure normal?+

Num pé de risco, os cuidados devem ser feitos por um profissional de saúde com formação em pé diabético, com material esterilizado e técnica que não fira a pele. Evite pedicures estéticas com lâminas, cutilagem agressiva e escalda-pés muito quentes.

Esta consulta substitui o médico?+

Não: complementa. O médico de família ou o endocrinologista seguem a diabetes; aqui cuidam-se os pés e vigiam-se os sinais de alarme. Se surgir uma ferida ou infeção, articulamos com o médico assistente ou orientamos para a consulta hospitalar de pé diabético.

Esta informação é geral e serve para ajudar a perceber o problema. Não substitui a avaliação individual nem o acompanhamento médico. Em caso de dúvida, marque consulta. Conteúdo revisto por Priscila Arantes, enfermeira registada na Ordem dos Enfermeiros (n.º 117508).

Outros problemas que se tratam

Unha encravada · Fungos nas unhas · Verruga plantar · Unhas espessas ou deformadas